domingo, 30 de março de 2008

Em primeiro lugar, a família - já dizia Dom Corleone

Interessante esta "árvore" gráfica conseguida através do site toomanycars. Dá para saber quem é de quem, quem manda em quem e como o Brasil é pobre em marcas, contando com menos de 1/3 das que brotam dos galhos daí de cima. O PDF para melhor visualização está aqui.

(fonte: toomanycars)

sexta-feira, 28 de março de 2008

Chevrole Matiz, mas poderia ser Brahma gelada ou nova Nova Schin

O comercial é grego, anunciando o pequeno Chevy Matiz. Nem tinha notado o carro? Pois é, pouca gente presta atenção nas curvas do carro quando há outras tão mais interessantes na tela.

Se a moda pega no Brasil, teríamos comerciais de carros iguais aos de cerveja: praia, mulher gostosa de biquíni, uma blusinha molhada aqui, um close na traseira acolá...

Pensando bem, não ia dar certo. Muita gente iria querer um modelo novo, e os disponíveis no mercado não aceitam financiamento em 72 meses. Elas gostam mesmo é da carteira, cartão de crédito e chaves do carro à vista.

Os mais "populares" da Europa

O mercado automobilístico europeu, que cresceu em fevereiro - como publicado em post anterior, no ranking de marcas -, continua a consumir às pencas os hatchs médios, segmento "popular" do continente. Os dez modelos mais vendidos na Europa em fevereiro foram os seguintes:
  1. Peugeot 207 38.493
  2. VW Golf 36.032
  3. Renault Clio 29.007
  4. Opel/Vauxhall Corsa 28.304
  5. Opel/Vauxhall Astra 27.287
  6. Fiat Punto 26.688
  7. Ford Focus 26.494
  8. Ford Fiesta 24.084
  9. VW Polo 21.819
  10. VW Passat 19.977
(fonte: Autoblog.es)

quarta-feira, 26 de março de 2008

Líder? Depende

O plano da Toyota é recolocar o Corolla no alto do pódio entre os sedãs médios, lugar onde esteve desde 2002, quando a nova versão foi lançada, até meados de 2007, quando o novo Honda Civic chegou às ruas. Conseguirá tal façanha?


As apostas estão na mesa, e aqui vão alguma razões para acreditar no sucesso ou infortúnio do desafio da Toyota:

  • Sim. Afinal, se todos os consumidores que já possuem um Corolla resolverem trocar seus modelos antigos por um novo haverá uma grande demanda pelo carro. A razão para acreditar em tal hipótese é o índice de satisfação dos clientes Toyota, que muitas vezes trocam seus carros por outro da mesma marca. Nos Estados Unidos, a Toyota tem o maior índice de retenção de clientes, seguida de perto pela Honda. Com tantos Corollas rodando pelas ruas brasileiras - clientes satisfeitos, a maioria deles - deve haver muitos consumidores dispostos a receber de braços e bolsos abertos a nova versão do sedã.
  • Sim, porque as mudanças, apesar de tímidas, deram novo fôlego ao modelo, que só precisava de uns retoques na maquiagem e uma turbinada nas curvas para continuar agradando o público pagante.
  • Sim, pois o dono de um Corolla tem um perfil diferente do consumidor do Civic. Ele é mais conservador, gosta daquele ar sóbrio do Corolla, busca um carro "classudo", mas não abre mão da discrição. Esse era também o perfil típico dos consumidores de sedãs médios, nos tempos do reinado do Corolla. Se a intenção da Toyota for recuperar a liderança a partir desse público, ótimo, mas o problema é que...

  • Não, pois o Honda Civic ultrapassou as fronteiras que delimitavam o segmento dos sedãs médios. Hoje, além dos habituais consumidores dessa categoria, o Honda Civic conseguiu conquistar compradores mais jovens, que buscam um carro de destaque, com visual esportivo e linhas insinuantes. Muitos dos órfãos do Audi A3, por exemplo, adotaram o carro da Honda. Outros tantos que tiveram seus queixos derrubados pelo desenho ousado seguiram o mesmo caminho - o das concessionárias em busca de seu Civic. Prova disso é a lista de espera pelo modelo, que chegou a mais de 3 meses, antes da Honda aumentar sua produção.
  • Não. Afinal, o Corolla tem pela frente apenas o Civic, mas em sua traseira bons carros com boas vendas, como Vectra, Mégane e Sentra. Se antes disputava no mano-a-mano, o Corolla agora tem que dividir o ringue com outros contendores - uns mais fortes, outros um pouco mais mirrados. Entram na lista de desafiantes também o Fusion e o Jetta - contra as versões mais caras do Corolla - e o Linea - na configuração mais barata do modelo.
  • Não, porque simplesmente não mudou tanto assim; nada, pelo menos, que justifique uma mudança radical no horizonte deste mercado. Se atualmente perde com o velho, perderá também com o novo - que tem a cara e o focinho do velho.
A briga é de foice, no escuro, e de olhos fechados. Ou melhor, puxados. A sorte está lançada, na concessionária mais próxima.

terça-feira, 25 de março de 2008

Marcas mais vendidas na Europa em fevereiro

Fevereiro já vai longe, mas os números que deixou para trás só agora me caem em mãos. As estatísticas de vendas no mês mais curto do ano desta vez se referem à Europa - União Européia mais os países com quem mantém área de livre comércio. Ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, na velho mundo as vendas cresceram: foram 1.086.000 unidades, um crescimento de 7,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

A explicação para o crescimento do mercado, porém, está no lado mais pobre do continente. É no leste que as vendas se expandem, alavancadas pelo bom momento das economias emergentes, como da Rússia e demais ex-membros da cortina de ferro. A imensidão do território e o caldeirão de culturas que formam a Europa oferece oportunidades às mais diversas montadoras.

Em fevereiro, os pedaços que cada uma delas abocanhou foi o seguinte:

  1. VW 111.250
  2. Peugeot 88.988
  3. Renault 87.576
  4. Opel/Vauxhall 82.993
  5. Fiat 82.306
  6. Ford 81.006
  7. Citroën 69.657
  8. Toyota 58.403
  9. Mercedes 48.000
  10. BMW 47.005
  11. Audi 44.932
  12. SEAT 29.030
  13. Nissan 25.679
  14. Skoda 24.179
  15. Hyundai 18.941
  16. Volvo 18.466
  17. Mazda 17.880
  18. Honda 16.790
  19. Suzuki 15.669
  20. Kia 15.603
  21. Chevrolet 11.583
  22. Lancia 10.830
  23. Mini 9.924
  24. Mitsubishi 9.174
  25. Dacia 8.398
  26. Chrysler 7.597
  27. Alfa Romeo 6.010
  28. Smart 5.200
  29. Saab 4.662
  30. Land Rover 4.081

segunda-feira, 24 de março de 2008

Brasil elogiando na Argentina? E esse Astra aí do lado?

Essa veio lá da Argentina, mas diz respeito ao Brasil. E, acreditem, não é provocação. O post do blog é altamente elogioso ao design automobiístico brasileiro. Confira:


"A GM soltou na semana passada algumas fotos de Carlos Barba, diretor de Design da GM para a América Latina. Uma das imagens que veio no pacote era do novo Astra. Ainda que muitas vezes estes desenhos de cirulação interna não se tornem realidade, o que se vê na imagem não é nada mal: um Astra hatch com linhas mais esportivas, pára-choques traseiros alongados e uma profunda mudança em relação à versão atual.

'Os produtos que hoje temos no forno vão surpreender', disse Barba em janeiro passado durante a conferência da GM Next. 'Nosso estúdio de desenho do Brasil está trabalhando neste momento em um excelente nível internacional, executando produtos com excitantes desenhos interiores e exteriores. Creio que no futuro isto mudará a percepção que existe sobre o desenho brasileiro', assegurou.Que assim seja."

Traduzido, "malemá", de Argentina Autoblog

As melhores estréias de NY - segundo o Autoblog

Particularmente, não gostei da escolha do Saleen e do Solstice. O Saleen é mais um superesportivo de edição limitada, outro entre tantos que vem pipocando pelos salões de automóveis mundo afora. Seu efeito sobre o mercado automotivo é, portanto, nulo. Já o Solstice é uma boa tentativa da GM de fazer frente a ícones do segmento, como os série Z da BMW, os S da Mercedes e os pequeninos esportivos japoneses. Bem, perto desses ele ainda é só uma tentativa.

O Kia Concept Coupe é bonito, mas dá a impressão de já ter sido visto em algum lugar. Vai ver que é porque tem cara de japonês, de Honda - é, vai ver é isso.

Se o coupe da Kia tem cara de japonês, o Suzuki Kizashi 3 tem um jeitão americano, cheiro de Detroit, sabe? É, pelo andar da carruagem a Sukuki logo vai de Kisashi se meter na guerra fratricida de Accord, Camry e Altima pelo mercado norte-americano de sedãs médios.

O Top 1 do Autoblog é o Genesis Coupe, um tipo de veículo meio estranho ao nosso olhar tropical. Carro de playboy, manja? No fundo, o que a Hyundai quer com o Genesis, tanto sedã quanto coupe, é demonstrar em desing e requinte o que ela já provou em qualidade. Dava pra ser mais ousada, mas já é um começo.

(fonte: autoblog)

sábado, 22 de março de 2008

O Carro do Ano, outra vez de novo


Eleições genéricas, como "o carro do ano" ou a "bunda do verão 2007", são de difícil assimilação. É como aquela história de time de futebol: o São Paulo, campeão da Libertadores, é o melhor da América; o Palmeiras, por sua vez, é o ganhador do Paulistão, então é o melhor de São Paulo. Mas o Palmeiras, como melhor de São Paulo, é melhor que o São Paulo, que é o melhor das Américas, mas não é o melhor de São Paulo?

Bem, o Salão de Nova Iorque apresentou ao público o resultado de seu júri - composto por 47 reputados jornalistas do mercado automotivo internacional -, que escolheu entre Ford Mondeo, Mercedes Classe C e Mazda 2 (os finalistas entre 49 modelos) o carro do ano de 2008. Como a banca é internacional, fica implícito que o ganhador seja o melhor do mundo. Ciente dessa responsabilidade, gostaríamos de parabenizar o grande vencedor, ou melhor, o pequeno vencedor, o... Mazda 2! (música ao fundo, o pequeno Mazda, branco, se levanta lacrimejante e se encaminha abraçar o mestre de cerimônias, o velho e pimpão Beagle).

O troféu de melhor do ano foi entregue ao Mazda 2 pelo sempre classudo Lexus LS 460, vencedor no ano passado. Mas não era o Fiat 500 o melhor do ano passado? Não, esta era uma outra estatueta, para outra platéia, cuja escolha se fez por outro corpo de jurados.

O melhor filme sai de Cannes ou do Oscar? De Sundance, oras...

sábado, 15 de março de 2008

Dia do consumidor - pega na mentira

Nada contra a intensa campanha de marketing da Hyundai, que estampa páginas inteiras de jornais cotidianamente, sempre louvando o desempenho de seus carros. Essa é alma da propaganda, que, por sua vez, é alma do negócio. Mas mentir, como a Hyundai deu para fazer ultimamente, não pode. Em nome do consumidor - que espera confiança dos produtos que adquire -, e em nome da marca - que tenta ser grande no Brasil e no mundo, e não só na Coréia do Sul - não dá para a propaganda da Hyundai sair por aí estampando feitos que não conquistou.

Uma das últimas propagandas do Hyundai Santa Fé (publicada acima), por exemplo, traz a seguinte frase: "A Consumer Reports 2008, comparando todos os carros do mundo, escolheu o Santa Fé como o melhor". Mentira! Mentira deslavada...

Mentira por quê? Primeiro, a Consumer Reports não compara todos os carros do mundo, mas somente aqueles vendidos no mercado norte-americado. Qualquer raso entendedor de mercado automotivo sabe que nem todos os modelos à venda no mundo estão disponíveis no mercado norte-americano. Carros Fiat, Renault e Peugeout, por exemplo, não habitam garagens norte-americanas. O mesmo acontece com modelos como Ford Mondeo, Ford S-Max e Ford Fiesta - entre outros, os mais variados possíveis, dos mais distantes cantos do planeta. Diante deste fato, como dizer que uma pesquisa feita com consumidores norte-americanos com modelos vendidos no mercado local dê origem ao título de melhor do mundo? Essa é a mentira número 1.

A mentira número 2, mais grave, é ludibriar o consumidor usando uma fonte séria como o Consumer Reports. Sim, o Santa Fé ganhou o título de 2008. Mas, ao contrário do que diz literalmente a propaganda, ele não é o melhor entre todos. O Santa Fé foi eleito o melhor SUV médio de 2008, o que significa que ele é o melhor SUV médio - e só. Ele não é melhor, por exemplo, que o Toyota Rav 4, eleito o melhor SUV pequeno, nem superior à Silverado, eleita a melhor picape. Ele é apenas o melhor em sua categoria, diferente do que alardeia a Hyundai.

Com a qualidade que tem seus carros, a Hyundai não precisa de tais artifícios para vendê-los. Basta dizer a verdade: eles são bons tecnologicamente e mecanicamente, conquistaram um lugar de destaque no exigente mercado norte-americano, são duráveis, atraentes aos olhos e têm preços competitivos. É o bastante para levar qualquer potencial comprador à concessionária. O que não se admite ser feito de bobo pela propagando do jornal. Nem no dia do consumidor, nem em 1º de abril.

Para quem se interessar, clique aqui para ir até a pesquisa do Consumer Reports. Ou clique aqui para ir até o Autoblog e ler o press-release de divulgação dos vencedores de 2008.



sexta-feira, 14 de março de 2008

Nasce um Mi.to?

A Alfa Romeo divulgou oficialmente as fotos e vídeo de seu novo compacto esportivo, o Mi.To. O alvo do Mi.To são os compradores de carros como o Mini e o 500 - entram nessa briga, em breve, Scirocco e Audi A1.

Alguns detalhes do modelo apresentado diferem das especulações que circularam pela rede nos últimos tempos. O conjunto ótico dianteiro, por exemplo, ficou menos agressivo, com linhas pouco acentuadas, mais tímidas que o esperado - como esta projeção, apresentada pela revista holandesa Autoweek. A inspiração nas curvas do superesportivo 8C Competizione é evidente.

Transmitida a tradição dos belos desenhos da linhagem Alfa - tão elogiados por críticos e apreciadores de automóveis, mas não suficientes para alavancar suas vendas -, resta esperar para saber se o Mi.To irá corresponder às expectativas e ser para a Alfa o que o Punto foi para sua irmã Fiat: um símbolo do renascimento da marca. O sangue quente italiano pode ajudar, porém não basta.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Efeito tempestade

Quando cresce pouco, o mercado automotivo chinês avança modestos 17% em relação a um mesmo período de ano anterior. O "baixo" crescimento de fevereiro, porém, já encontrou seus culpados: as tempestades que atingiram a China nos dois primeiros meses de 2008 e a chegada de um novo ano lunar. Explica-se: as mais fortes tempestades de neve dos últimos 50 anos fez com que montadoras como GM e Toyota, entre outras, interrompessem sua produção por um tempo. Além disso, o feriado do Ano Novo chinês, que começou em 6 de fevereiro, fez com que consumidores antecipassem para janeiro a compra do carro novo, para poderem viajar tranquilos no feriado. O resultado foi uma menor procura no mês seguinte, fevereiro.



Os dez modelos mais vendidos no mês de fevereiro foram:

1 - Santana - 20,655 (Shanghai Volkswagen Co.)
2 - Excelle - 15,910 (Shanghai General Motors Co.)
3 - Camry - 12,185 (Guangzhou Toyota Motor Co.)
4 - Corolla - 2,015 (Tianjin FAW Toyota Motor Co.)
5 - QQ - 1,556 (Chery Automobile Co.)
6 - Elantra - 1,084 (Beijing Hyundai Motor Co.)
7 - Xiali - 10,199 (Tianjin FAW Xiali Automobile Co.)
8 - F3 - 9,414 (BYD Co.)
9 - Lingyu - 9,220 (Shanghai Volkswagen Co.)
10- Lova - 9,139 (Shanghai General Motors Co.)

(fonte: Bloomberg.com)

Nunca na história daquele país os companheiros trabalhadores da Toyota foram tão explorados pela elite econômica que governa há mais de...

Os trabalhadores da Toyota no Japão bem que estariam dispostos a ouvir um desses dicursos batidos do presidente Lula em troca de um salário um pouco mais gordo nos bolsos. Afinal, o aumento salarial concedido pela maior montadora japonesa aos seus trabalhadores locais foi de $9,72 mensais, o que pela cotação do dólar de hoje, R$1,674, dá R$15,94 a mais para os japoneses no final do mês. O aumento do salário mínimo brasileiro, só para esnobar, subiu colossais R$35,00. Olha que estamos falando do mínimo heim...

Agora, falando sério. O aumento dos salários dos trabalhadores da indústria japonesa - suas concorrentes nipônicas também seguem a mesma política - subiu só essa merreca, mas sobre uma base salarial bem maior que a dos trabalhadores brasileiros. Além disso, eles têm direito a bônus por lucratividade que correspondem a cerca de 6 salários mensais, além das outras vantagens incorporadas aos rendimentos. Ainda assim, a mão fechada da Toyota revela que ela está se preparando para os tempos de vacas magras que ameaçam as montadoras. Com competividade crescente, dólar fraco em relação ao yen, mercado norte-americano em baixa e custo das matérias- primas em alta, as fabricantes japonesas podem sentir os efeitos da crise econômica num grau maior que suas concorrentes.

Para se ter uma idéia da importância do setor automotivo no Japão, ele emprega na atualidade 4.950.000 pessoas - o equivalente a 7,8% da força de trabalho do país. Apenas o sindicato da Toyota representa 57.849 trabalhadores. A Honda, segunda maior montadora do país, e a Nissan, terceira colocada, também tendem a oferecer aumentos menores que os reivindicados pelos sindicatos de trabalhadores - afinal, a conjuntura é a mesma para todas.

Se os japoneses quiserem, podemos emprestar nosso presidente para dar aumentos maiores em seus salários. Aliás, podemos mandar dois navios cargueiros lotados de políticos brasileiros. Com certeza de aumentar salários eles entendem. Um detalhe: não há possibilidade de recall.



(fonte: Bloomberg.com)

domingo, 9 de março de 2008

Genebra, mas nem tanto

Do Salão de Genebra, quase tudo já foi dito e mostrado nos mais diversos sites da rede. A condição de neutralidade do território suiço já foi destacada, assim como a característica verde e diminuta de algumas das novidades exibidas. Raciocínio lógico, oras, pois se tratam de carros e conceitos bem ao gosto europeu, como o Ford Fiesta, o Lancia Delta, o Toyota IQ, o VW Scirocco, os projetos dos famosos estúdios italianos e os foguetes de bolso como Twingo RS e 500 Abarth.

O que publicar então sobre Geneva? Bem, vamos ao exercício mais apreciado pelo blogueiro, que é dar pitacos sobre mercado automotivo; para isso, o alvo são as grandes montadoras, assunto que mais que nos interessa aqui ao longe, no Brasil.

A VW, nossa vice-líder de mercado, tem como destaque em Genebra o Scirocco, modelo relançado após mais de duas décadas de ausência do cardápio de produtos. Como já foi dito em entrevistas de executivos da Volks, o Scirocco não deve chegar ao Brasil. Sua função no mercado é a de "Mini-killer", ou seja, enfrentar o estiloso carrinho da Mini, entre outros do segmento que estão por vir. Portanto, no Brasil o modelo não encontraria o adversário que é sua razão de ser. O Scirocco revela, porém, traços que serão incorporados aos demais modelos da VW - o que vale para Gol, Golf, Fox e outros. Quanto à qualidade destas linhas é que se dirige a primeira ressalva dessa postagem: o desenho do modelo apresentado como conceito, e que chegou a ser flagrado em testes, era muito mais ousado, esportivo e elegante que o agora apresentado em Genebra - principalmente na dianteira. Dois pontos negativos para a Volks, que também não deu pistas da nova geração do Golf.


Fiat 500 Abarth: dá pra melhorar? Sempre dá

O grupo Fiat, depois do sucesso do pequeno 500 e da boa aceitação de modelos como Punto, Bravo e Panda na Europa, volta as atenções às outras marcas da companhia, que andam meio em baixa. Por isso, Lancia e Alfa Romeo ofuscam o stand da irmã maior Fiat no evento. A destacar, apenas o 500 Abarth e o anúncio de que vai aumentar a produção do 500 para suprir a grande demanda pelo modelo. Talvez um dia ele desembarque por aqui, talvez... Em Genebra, nem ponto negativo nem positivo para a fábrica de Turim.

A GM, através de sua subsidiária Opel, parece que foi a Genebra a pé. De destaque, apenas o conceito Meriva, com linhas harmoniosas e ar futurista. Despencando pelas tabelas da lucratividade, a GM parece não querer saber de jogadas ousadas neste momento. Quem sabe surpreenda com o Flextreme de produção a curto prazo? Improvável, mas quem foi rei nunca perde a majestade. É bom esperar os próximos passos da norte-americana em solo europeu; enquanto isso, ponto negativo por omissão.


O Opel Meriva do futuro (acima), o Ford Fiesta do momento e o Ford Kuga pronto para produção


A norte-americana Ford está encantanda com a Europa, continente onde tem conseguido lucros consecutivos - ao contrário de sua terra natal, onde as perdas parecem não ter fim. É na Europa onde estão alguns dos melhores produtos da Ford na atualidade, como demonstra a boa aceitação das linhas Mondeo, Focus e Fiesta. O reestilizado Mondeo - concebido, fabricado e vendido na Europa - está no páreo para ganhar o título de Carro do Ano de 2008, a ser anunciado no Salão de Nova Iorque, no final de março. O Focus, um dos maiores sucessos entre os hatchbacks médios europeus nos últimos anos, também ganhou nova versão. Ficou mais atraente, bem mais atraente, por sinal, que a reestilização de mau gosto do mesmo modelo da Ford norte-americana. E agora, para completar o ciclo de bons lançamentos, a Ford mostra, pronto para produção, o novo Fiesta, compacto que incorpora ainda mais beleza e ousadia aos traços da linha Ford. Genebra ainda traz oficialmente o Kuga, crossover compacto que fará parte do cardápio da Ford na Europa. Ah, já ia esquecendo: os desenhos do novo Ka também já circulam pela rede, e nos fazem chegar à seguinte conclusão: Henry Ford nasceu no lado errado do Atlântico. Muitos pontinhos positivos para a Ford, portanto.

A Peugeout levou a Genebra o 308 RCZ e o 308 versão perua. Como ainda nem sentimos o gostinho do 308 convencional ainda, é melhor nem especular para não dar água na boca. A Citröen, por sua vez, ainda está naquela de C5 pra lá, C5 pra cá... O conceito de utilitário Berlingo até tem seu charme, mas nada que atraia mais atenção que sua pintura "Nemo". Apagadinha, a Citroen em Genebra...

Um dos carros que mais chama atenção, entre todos os expostos em Genebra, é o conceito Renault Megane. Ainda não dá para saber se algum fabricante está disposto a bancar um lançamento desse naipe nos próximos cinco anos, mas, se tiver, será um marco. Seus ângulos agressivos, sua aerodinâmicade de nave espacial e design futurista, além das portas tipo gaivota, dão ao coupé um ar de superioridade tecnológica, de um veículo à frente de seu tempo. Voltando à realidade, a Renault apresenta o utilitário Koleos - só para contrariar os que acham que a francesa estava começando a acertar a mão nos desenhos -, e as versões esportivas do Twingo, RS, e do Laguna, GT. O nosso Sandero, lá sob a marca Dacia, também é destaque em Genebra. Junta tudo, e tira o conceito Megane, sobra pouco. Nada de empolgante.

Será possível que as mesmas mãos desenham o belo Megane e o feio Koleos?


Honda Accord Tourer: para brigar com as grandes


Da Honda, a novidade é o Accord, já lançado nos Estados Unidos, e que terá na Europa uma versão perua, a Tourer. A Honda ainda tem um desempenho bastante modesto no continente europeu, longe de sua rival Toyota, por exemplo. Porém, o Civic, o FIT e o CR-V vem fazendo as vendas da montadora japonesa crescerem acima dos dois dígitos nos últimos tempos, sinal de que pode começar a incomodar a concorrência. O Accord, nesse sentido, é só mais uma jogada estratégica dos japoneses no xadrez automovivo europeu.

A Toyota pode não estar imune ao vírus que se instalou na GM, conhecido popularmente como arrogância. Por muito tempo, a GM lançou modelos e mais modelos de automóvies - muitos deles ruins, de baixa qualidade técnica e/ou de aparência - pensando que eles se venderiam por si só, que somente o peso da camisa GM levaria os consumidores às lojas e os faria optar por seus carros. Era a GM quem ditava o que era bom para o consumidor, presumiam seus dirigentes. O atual momento da empresa, que enxuga suas linhas de produção e adota os modelos de gestão das concorrentes européias e japonesas, mostra que a GM estava errada. A Toyota, com seus recentes lançamentos, demonstra que também acha que todos procurarão carros Toyota apenas por eles serem Toyota. Exemplo? O Urban Cruiser, apresentado em Genebra. O conceito do Urban Cruiser era um carro interessante, já o Urban Cruiser de produção é um carro normal - além de estar uma geração atrasada em relação à concorrência. Tal divergência se vislumbra facilmente apenas pela observaçã da dianteira do modelo, que era tridimensional no conceito e veio com grades nesta versão de produção. O aspecto tridimensional da dianteira anterior dava uma cara de futuro ao carro; a nova, por sua vez, dá um aspecto de "comum". Não que comum seja ruim, mas é que o mal da Toyota é fazer coisas comuns pensando que o consumidor o comprará mesmo assim, buscando a qualidade Toyota. A mesma linha de raciocíno serve para as reestilizações do Corolla e Auris, que não vendem tanto como antes. O conservadorismo dos desenhos Toyota poderá não ser a causa de seu insucesso, mas a qualidade e confiabilidade de seus produtos também não serão mais o fator essencial para seu crescimento mundial. De resto, em Genebra a Toyota traz o IQ, que já não é mais novidade há algum tempo (desde pelo menos o lançamento do Smart, calculo) e, através da Lexus, o LF conversível - que quando entrar em produção já estará desbotado).



Urban Cruiser conceito e Urban Cruiser de produção: diferença entre ousado e comum



Jaguar XF e Masserati Grandturismo: elegância e esportividade

Masserati Rapide: James Bond deve estar ansioso



O que mais?
A Jaguar, cada vez mais perto de cair nas mãos do sr. Tata, parece ter ganhado um refresco em suas linhas sem perder a tradicional elegância. Seu modelo esportivo pode rivalizar com os novos Masseratis e Astor Martins que estão por vir - todos de belissima estirpe, vale destacar.
BMW, Mercedez e Audi estão cada vez mais parecidas entre si, não revelando nada de surpreendente, jogando apenas o básico para satisfazer a torcida.
Skoda? É de comer? Combina com Saab ao tinto ou branco? Bem, é isso...

(fontes: autoblog, motortrend, insideline, motorauthority)

sábado, 1 de março de 2008

Melbourne, a Austrália e uns motores fumegantes (parte 2)

Agora que já sabemos "tudo" sobre a relação da Austrália com seus carros, vamos a Melbourne, onde acontece um dos salões mais importantes do país (o outro fica em Sydnei e foi realizado em dezembro de 2007).

A maior parte dos veículos trazidos à Austrália já passaram por outros salões, ou seja, não são novidades para ninguém. São exemplos desse naipe o Toyota FT-HS, o Hyundai Genesis Coupe, o jipinho GLK da Mercedez e o Renault Koleos. Versões modificadas de velhos conhecidos também pululam pelos stands, como a linha R da VW e dois utilitários da Overfinch Bespoke - uma espécie de AMG da Land Rover.

Novidades mesmo, daquelas de provocar suspiros e arrancar aplausos, são poucas. Por se tratar de um mercado periférico, os grandes lançamentos na Austrália são escassos. Neste momento, todos os olhos "especializados" estão voltados para outro canto, um Cantão da Suíca onde fica Genebra, em cujo salão se farão os grandes debutes do ano.

Mas nem tudo abaixo da linha do Equador são lágrimas: a Melbourne coube, por exemplo, o papel de apresentar ao mundo o carro australiano mais rápido já feito, o W47 - um veículo especial produzido pela HSV (Holden Special Vehicles) que custará a bagatela de $125.000. Nada mal não?


O australiano mais potente, pela pechincha de $125.000

A Holden, porém, não parou por aí. Em casa, apresentou também o Coupe 60, um esportivo de dois lugares derivado do SE Commodore que marca os 60 anos de existência da marca australiana. Com suas rodas de 21" e motor V8 de 6.0 litros, é uma cereja em tanto no bolo da subsidiária australiana da GM.


No aniversário da Holden, o presente foi o Coupe 60

A Ford, por sua vez, veio de Falcon novo, em várias configurações, inclusive na versão ute. A cirurgia plástica do campeão de vendas da Ford australiana fez cair o queixo até do chefão da marca. Depois de testar um Falcon GE6 Turbo, Alan Mulay, presidente mundial da Ford, fez questão de dizer que queria um brinquedinho daquele só para ele. Se ele gostou desse, o que iria dizer das versões mais apimentadas do carro mais popular da marca na Austrália? Bem, a Ford disponibilizou em Melbourne algumas respostas para esta pergunta, exibindo versões modificadas do Falcon sob a bandeira FPV, sigla para Ford Performance Vehicles.


O novo Falcon em formato sedan e
ao gosto australiano, na versão ute





Performáticos: Falcons F6 e GT nos olhos dos outros é refresco

No mais, Melbourne teve a inesperada estréia mundial da versão perua do Peugeot 308, que todos previam ser em Genebra, além dos estranhos carros da Proton, fabricante malaia de veículos pouquíssima conhecida por estas bandas, e da versão TRD da bem-quista Hilux.






De cima para baixo, em sentido escadinha, a perua francesa
da Peugeou; o protótipo Satria R3, da malaia Proton;
e e a versão de alto desempenho da picape da Toyota



E, para encerrar, a coisa mais estranha - e por que não dizer, a façanha maior - de toda esta história: fazer um texto de muitos mil caracteres sobre a Austrália sem fazer nenhum trocadilho com canguru, aborígenes e boomerang. Não foi fácil segurar o descambar da pena...


(fontes: caradvice.co.au e autoblog.com)

Melbourne, a Austrália e uns motores fumegantes (parte 1)

O modelo mais vendido do país, o Holden Commodore, e a resposta da líder do mercado, o Toyota Aurion


A versão ute de um dos carros mais populares entre os australianos, o Ford Falcon


Carros e Austrália são coisas que não se combinam, certo?

Bem, com certeza há coisas muito mais interessantes na Austrália para se apreciar do que seus carros. Mas, para quem tem pistões batendo no lugar do coração, há também um interessante mercado automotivo a ser observado. É este mercado – e também as belezas australianas, literalmente - que se mostra ao mundo no Salão de Melbourne, que acontece entre 29 de fevereiro e 10 de março.

Antes de arrombarmos as portas do Salão, porém, há algumas características do mercado australiano de veículos que merecem umas poucas considerações.

Os australianos compram menos carros que os brasileiros: em 2007 foram vendidos 1.050.000 unidades, contra mais de 2.200.000 no Brasil. Obviamente, nosso mercado consumidor é muito maior. Em ambos os casos, porém, os números são recordes para um ano de vendas.

A Toyota é a maior vendedora de carros da Austrália. Em 2007, a montadora do vizinho Japão foi responsável por 22,5% dos automóveis vendidos, como mostra o ranking das 20 marcas com melhor desempenho no ano que se foi:

1. Toyota 236.647

2. Holden 146.680

3. Ford 108.071

4. Mazda 77.734

5. Mitsubishi 65.397

6. Honda 60.529

7. Nissan 60.015

8. Hyundai 50.007

9. Subaru 38.445

10. VW 27.400

11. Suzuki 21.575

12. Kia 20.985

13. Mercedes 20.230

14. BMW 17.197

15. Peugeot 8.807

16. Lexus 8.199

17. Audi 7.225

18. Jeep 5.744

19. Volvo 4.851


O modelo mais vendido, porém, não tem os olhos puxados. Trata-se do Holden Commodore, uma espécie de Vectra australiano baseado na plataforma do Pontiac G8, que vendeu 57.037 unidades em 2007. Em segundo lugar, sempre ele, vem o Toyota Corolla, com 47.792 vendas. Alguma surpresa até aqui? E seu te dissesse que o terceiro do ranking no ano passado foi a Hilux, com 42.009 caminhonetes vendidas? Com certeza é um dos melhores índices de vendas do modelo no mundo – o que demonstra muito do gosto dos australianos por motores.

Outra particularidade da Austrália, e que promete se tornar tendência em outras partes do mundo nos próximos anos, é o ute. U o quê? Ute é a versão de carga de sedans convencionais ou, ao gosto do freguês, o carro de passeio que leva mais carga que os demais. O ute é uma criação australiana, por meio de fabricantes norte-americanas; em alguns filmes hollywoodianos é possível ver aquelas banheiras de caçamba, que saltam estranhas aos nosso olhos. Na verdade, nem são tão diferentes assim de modelos como a VW Saveiro – a diferença está na soldagem do chassi: nas picapes, o chassi é formado por duas peças soldadas (a cabine à caçamba); nos utes ele é uniforme, como se o teto fosse cortado para dar lugar ao compartimento traseiro.

E por que os utes podem se alastrar pelo mundo? Justamente por unirem a vocação de carga ao conforto de carro de passeio – o que lhe dá a vantagem de gastar menos e também poluir menos. Um exemplo da nova tendência é o conceito A-BAT, da Toyota, que pode se tornar uma picape pequena e urbana, ou seja, um ute, e também o conceito da GM, Denali, apresentado no Salão de Chicago. É esperar para ver se esses ventos fazem a curva e sopram para os nossos lados...





... e as belezas australianas, claro


(continua...)