Do Salão de Genebra, quase tudo já foi dito e mostrado nos mais diversos sites da rede. A condição de neutralidade do território suiço já foi destacada, assim como a característica verde e diminuta de algumas das novidades exibidas. Raciocínio lógico, oras, pois se tratam de carros e conceitos bem ao gosto europeu, como o Ford Fiesta, o Lancia Delta, o Toyota IQ, o VW Scirocco, os projetos dos famosos estúdios italianos e os foguetes de bolso como Twingo RS e 500 Abarth.
O que publicar então sobre Geneva? Bem, vamos ao exercício mais apreciado pelo blogueiro, que é dar pitacos sobre mercado automotivo; para isso, o alvo são as grandes montadoras, assunto que mais que nos interessa aqui ao longe, no Brasil.
A VW, nossa vice-líder de mercado, tem como destaque em Genebra o Scirocco, modelo relançado após mais de duas décadas de ausência do cardápio de produtos. Como já foi dito em entrevistas de executivos da Volks, o Scirocco não deve chegar ao Brasil. Sua função no mercado é a de "Mini-killer", ou seja, enfrentar o estiloso carrinho da Mini, entre outros do segmento que estão por vir. Portanto, no Brasil o modelo não encontraria o adversário que é sua razão de ser. O Scirocco revela, porém, traços que serão incorporados aos demais modelos da VW - o que vale para Gol, Golf, Fox e outros. Quanto à qualidade destas linhas é que se dirige a primeira ressalva dessa postagem: o desenho do modelo apresentado como conceito, e que chegou a ser flagrado em testes, era muito mais ousado, esportivo e elegante que o agora apresentado em Genebra - principalmente na dianteira. Dois pontos negativos para a Volks, que também não deu pistas da nova geração do Golf.

Fiat 500 Abarth: dá pra melhorar? Sempre dá
O grupo Fiat, depois do sucesso do pequeno 500 e da boa aceitação de modelos como Punto, Bravo e Panda na Europa, volta as atenções às outras marcas da companhia, que andam meio em baixa. Por isso, Lancia e Alfa Romeo ofuscam o stand da irmã maior Fiat no evento. A destacar, apenas o 500 Abarth e o anúncio de que vai aumentar a produção do 500 para suprir a grande demanda pelo modelo. Talvez um dia ele desembarque por aqui, talvez... Em Genebra, nem ponto negativo nem positivo para a fábrica de Turim.
A GM, através de sua subsidiária Opel, parece que foi a Genebra a pé. De destaque, apenas o conceito Meriva, com linhas harmoniosas e ar futurista. Despencando pelas tabelas da lucratividade, a GM parece não querer saber de jogadas ousadas neste momento. Quem sabe surpreenda com o Flextreme de produção a curto prazo? Improvável, mas quem foi rei nunca perde a majestade. É bom esperar os próximos passos da norte-americana em solo europeu; enquanto isso, ponto negativo por omissão.
O Opel Meriva do futuro (acima), o Ford Fiesta do momento e o Ford Kuga pronto para produção
A norte-americana Ford está encantanda com a Europa, continente onde tem conseguido lucros consecutivos - ao contrário de sua terra natal, onde as perdas parecem não ter fim. É na Europa onde estão alguns dos melhores produtos da Ford na atualidade, como demonstra a boa aceitação das linhas Mondeo, Focus e Fiesta. O reestilizado Mondeo - concebido, fabricado e vendido na Europa - está no páreo para ganhar o título de Carro do Ano de 2008, a ser anunciado no Salão de Nova Iorque, no final de março. O Focus, um dos maiores sucessos entre os hatchbacks médios europeus nos últimos anos, também ganhou nova versão. Ficou mais atraente, bem mais atraente, por sinal, que a reestilização de mau gosto do mesmo modelo da Ford norte-americana. E agora, para completar o ciclo de bons lançamentos, a Ford mostra, pronto para produção, o novo Fiesta, compacto que incorpora ainda mais beleza e ousadia aos traços da linha Ford. Genebra ainda traz oficialmente o Kuga, crossover compacto que fará parte do cardápio da Ford na Europa. Ah, já ia esquecendo: os desenhos do novo Ka também já circulam pela rede, e nos fazem chegar à seguinte conclusão: Henry Ford nasceu no lado errado do Atlântico. Muitos pontinhos positivos para a Ford, portanto.
A Peugeout levou a Genebra o 308 RCZ e o 308 versão perua. Como ainda nem sentimos o gostinho do 308 convencional ainda, é melhor nem especular para não dar água na boca. A Citröen, por sua vez, ainda está naquela de C5 pra lá, C5 pra cá... O conceito de utilitário Berlingo até tem seu charme, mas nada que atraia mais atenção que sua pintura "Nemo". Apagadinha, a Citroen em Genebra...
Um dos carros que mais chama atenção, entre todos os expostos em Genebra, é o conceito Renault Megane. Ainda não dá para saber se algum fabricante está disposto a bancar um lançamento desse naipe nos próximos cinco anos, mas, se tiver, será um marco. Seus ângulos agressivos, sua aerodinâmicade de nave espacial e design futurista, além das portas tipo gaivota, dão ao coupé um ar de superioridade tecnológica, de um veículo à frente de seu tempo. Voltando à realidade, a Renault apresenta o utilitário Koleos - só para contrariar os que acham que a francesa estava começando a acertar a mão nos desenhos -, e as versões esportivas do Twingo, RS, e do Laguna, GT. O nosso Sandero, lá sob a marca Dacia, também é destaque em Genebra. Junta tudo, e tira o conceito Megane, sobra pouco. Nada de empolgante.
Será possível que as mesmas mãos desenham o belo Megane e o feio Koleos?

Honda Accord Tourer: para brigar com as grandes
Da Honda, a novidade é o Accord, já lançado nos Estados Unidos, e que terá na Europa uma versão perua, a Tourer. A Honda ainda tem um desempenho bastante modesto no continente europeu, longe de sua rival Toyota, por exemplo. Porém, o Civic, o FIT e o CR-V vem fazendo as vendas da montadora japonesa crescerem acima dos dois dígitos nos últimos tempos, sinal de que pode começar a incomodar a concorrência. O Accord, nesse sentido, é só mais uma jogada estratégica dos japoneses no xadrez automovivo europeu.
A Toyota pode não estar imune ao vírus que se instalou na GM, conhecido popularmente como arrogância. Por muito tempo, a GM lançou modelos e mais modelos de automóvies - muitos deles ruins, de baixa qualidade técnica e/ou de aparência - pensando que eles se venderiam por si só, que somente o peso da camisa GM levaria os consumidores às lojas e os faria optar por seus carros. Era a GM quem ditava o que era bom para o consumidor, presumiam seus dirigentes. O atual momento da empresa, que enxuga suas linhas de produção e adota os modelos de gestão das concorrentes européias e japonesas, mostra que a GM estava errada. A Toyota, com seus recentes lançamentos, demonstra que também acha que todos procurarão carros Toyota apenas por eles serem Toyota. Exemplo? O Urban Cruiser, apresentado em Genebra. O conceito do Urban Cruiser era um carro interessante, já o Urban Cruiser de produção é um carro normal - além de estar uma geração atrasada em relação à concorrência. Tal divergência se vislumbra facilmente apenas pela observaçã da dianteira do modelo, que era tridimensional no conceito e veio com grades nesta versão de produção. O aspecto tridimensional da dianteira anterior dava uma cara de futuro ao carro; a nova, por sua vez, dá um aspecto de "comum". Não que comum seja ruim, mas é que o mal da Toyota é fazer coisas comuns pensando que o consumidor o comprará mesmo assim, buscando a qualidade Toyota. A mesma linha de raciocíno serve para as reestilizações do Corolla e Auris, que não vendem tanto como antes. O conservadorismo dos desenhos Toyota poderá não ser a causa de seu insucesso, mas a qualidade e confiabilidade de seus produtos também não serão mais o fator essencial para seu crescimento mundial. De resto, em Genebra a Toyota traz o IQ, que já não é mais novidade há algum tempo (desde pelo menos o lançamento do Smart, calculo) e, através da Lexus, o LF conversível - que quando entrar em produção já estará desbotado).

Urban Cruiser conceito e Urban Cruiser de produção: diferença entre ousado e comum
Jaguar XF e Masserati Grandturismo: elegância e esportividade
Masserati Rapide: James Bond deve estar ansioso
O que mais?
A Jaguar, cada vez mais perto de cair nas mãos do sr. Tata, parece ter ganhado um refresco em suas linhas sem perder a tradicional elegância. Seu modelo esportivo pode rivalizar com os novos Masseratis e Astor Martins que estão por vir - todos de belissima estirpe, vale destacar.
BMW, Mercedez e Audi estão cada vez mais parecidas entre si, não revelando nada de surpreendente, jogando apenas o básico para satisfazer a torcida.
Skoda? É de comer? Combina com Saab ao tinto ou branco? Bem, é isso...
(fontes:
autoblog,
motortrend,
insideline,
motorauthority)