O plano da Toyota é recolocar o Corolla no alto do pódio entre os sedãs médios, lugar onde esteve desde 2002, quando a nova versão foi lançada, até meados de 2007, quando o novo Honda Civic chegou às ruas. Conseguirá tal façanha?
As apostas estão na mesa, e aqui vão alguma razões para acreditar no sucesso ou infortúnio do desafio da Toyota:
- Sim. Afinal, se todos os consumidores que já possuem um Corolla resolverem trocar seus modelos antigos por um novo haverá uma grande demanda pelo carro. A razão para acreditar em tal hipótese é o índice de satisfação dos clientes Toyota, que muitas vezes trocam seus carros por outro da mesma marca. Nos Estados Unidos, a Toyota tem o maior índice de retenção de clientes, seguida de perto pela Honda. Com tantos Corollas rodando pelas ruas brasileiras - clientes satisfeitos, a maioria deles - deve haver muitos consumidores dispostos a receber de braços e bolsos abertos a nova versão do sedã.
- Sim, porque as mudanças, apesar de tímidas, deram novo fôlego ao modelo, que só precisava de uns retoques na maquiagem e uma turbinada nas curvas para continuar agradando o público pagante.
- Sim, pois o dono de um Corolla tem um perfil diferente do consumidor do Civic. Ele é mais conservador, gosta daquele ar sóbrio do Corolla, busca um carro "classudo", mas não abre mão da discrição. Esse era também o perfil típico dos consumidores de sedãs médios, nos tempos do reinado do Corolla. Se a intenção da Toyota for recuperar a liderança a partir desse público, ótimo, mas o problema é que...
- Não, pois o Honda Civic ultrapassou as fronteiras que delimitavam o segmento dos sedãs médios. Hoje, além dos habituais consumidores dessa categoria, o Honda Civic conseguiu conquistar compradores mais jovens, que buscam um carro de destaque, com visual esportivo e linhas insinuantes. Muitos dos órfãos do Audi A3, por exemplo, adotaram o carro da Honda. Outros tantos que tiveram seus queixos derrubados pelo desenho ousado seguiram o mesmo caminho - o das concessionárias em busca de seu Civic. Prova disso é a lista de espera pelo modelo, que chegou a mais de 3 meses, antes da Honda aumentar sua produção.
- Não. Afinal, o Corolla tem pela frente apenas o Civic, mas em sua traseira bons carros com boas vendas, como Vectra, Mégane e Sentra. Se antes disputava no mano-a-mano, o Corolla agora tem que dividir o ringue com outros contendores - uns mais fortes, outros um pouco mais mirrados. Entram na lista de desafiantes também o Fusion e o Jetta - contra as versões mais caras do Corolla - e o Linea - na configuração mais barata do modelo.
- Não, porque simplesmente não mudou tanto assim; nada, pelo menos, que justifique uma mudança radical no horizonte deste mercado. Se atualmente perde com o velho, perderá também com o novo - que tem a cara e o focinho do velho.
A briga é de foice, no escuro, e de olhos fechados. Ou melhor, puxados. A sorte está lançada, na concessionária mais próxima.
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