Agora, segundo contabilidade da Global Auto Sources, os números mostrados até aqui estão maquiados – ou pelo menos mal interpretados. Para a Gasgoo (abreviação, ou algo parecido, que dá nome ao site), a GM, em conjunto com a Shanghai, lidera o ranking de 2007 com 500.308 unidades vendidas. Logo depois vem a FAW-VW, com 459.359 unidades vendidas, para depois vir a Shangai-VW, apresentando suas 436.343 vendas. Entendeu a manobra? A Gasgoo separou as alianças da VW e contabilizou cada um como montadora autônoma. Nessa contabilidade, a Toyota é apenas a sexta colocada. Ainda de acordo com o site, depois de GM e das Volkswagen´s vem a Chery, que seria a primeira representante chinesa a cruzar a linha de chegada de 2007, certo? Não é bem assim.
A arte da guerra chinesa vai mais longe do que Sun-Tzu poderia conceber. Vejamos, por exemplo, como é simples desmoralizar os exércitos estrangeiros e enaltecer a honra nacional: se contabilizarmos somente de onde os carros saem - e ignorarmos, por conseqüência, o uniforme que vestem -, os números são outros e quem está vencendo são os seguidores do Grande Timoneiro Mao.
Deste ângulo de visão, segundo informações da Reuters (repassando informações das próprias montadoras chinesas), a SAC Motor Corp (Shanghai) vendeu 1.690.00 unidades – tendo sob seu guarda-chuva as alianças com a GM, Volkswagen, Ssangyoung, GM Wulling (de utilitários) e Rover. Ela é, portanto, a maior montadora chinesa. O FAW Group, por sua vez, vendeu 1.440.000 mil automóveis, tanto de suas alianças com a Volkswagen e Toyota quanto de sua marca própria, estabelecendo-se como segunda força do mercado. Como diria o velho Capitão, “vai gostar de enfiar alianças nos dedos de fabricantes de automóveis assim lá na China!”.
Se seguirmos a tabuada desta última contabilidade, que dá os louros aos chineses, estaremos admitindo que os fabricantes ocidentais e japoneses estão apenas servindo ao sistema comunista “flex” da China, já que a maioria das fabricantes nacionais são controladas pelos governos de suas províncias. E que, com o fortalecimento destas marcas, o aliado pode se tornar inimigo a qualquer momento. Um exemplo do fortalecimento das fabricantes chineses, sob estímulo do governo de Pequim, é a compra da Nanjing pela Shanghai, criando a maior montadora “vermelha” do mundo. Para isso, a Nanjing rompeu sua aliança com a Fiat.
O butim em jogo para as montadoras internacionais e chinesas explica tanta disposição para a batalha. Segundo reportagem da agência de notícias estatal Xinhua, as vendas de automóveis em 2008 devem atingir os 10 milhões de unidades, um aumento considerável em relação aos já vultuosos 8.700.000 de 2007. Com a previsão de queda no mercado norte-americano, baixo crescimento na Europa e queda também no mercado japonês, todos os olhos, faróis e pisca-alertas estão voltados para a China.
A guerra dos números, nesse sentido, tem importância estratégica: muitas destas estatísticas serão usadas como armas para conseguir investimentos em novas unidades, novos modelos e avanços decisivos sobre as fronteiras inimigas. A artilharia pesada ainda por vir.
(fontes: WSJ, Reuters, AFP, AP, Xinhua, Gasgoo, entre outras)

O velho Santana - um dos mais vendidos em 2007 na China

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